não posso atribuir as culpas a uma multinacional que pelos vistos canaliza lucros para a coperação com as autoridades de saúde que pela sua vez advertem para o bem estar da população. estou convicto que os regulamentos por elas praticados façam acudir verdadeiramente e de forma muito abrangente as necessidades globais. não encontro indignidade, a menos que me façam ver que de alguma forma a possa existir, quanto ao facto de uma inovação ao nivel de um mercado tao exigente com a moral mais do que nunca a liderar qualquer tipo de operação. mas torna-se dificil gerir esta dualidade de fazer bem e bem fazer num contexto social tão vasto como o proprio mundo em questão.
Interesse ou manipulação?
“Pepsi, 7UP, batatas fritas Lay's e Doritos. Dentro de dez anos, estes produtos vão ter menos 25% de açúcar ou sal na composição nutricional e um corte de 15% nas gorduras saturadas. Pelo menos é este o compromisso assumido pelo grupo norte-americano PepsiCo, a segunda maior empresa de alimentação e bebidas do mundo, que espera aumentar as vendas anuais de 10 para 30 mil milhões de dólares com esta alteração. Com a iniciativa, a PepsiCo, presente em 200 países, segue o exemplo dos concorrentes Con-Agra Foods, Kraft e Campbell Soup, que decidiram agir por iniciativa própria face à ameaça das autoridades de saúde norte-americanas de criar um novo imposto para financiar os custos de saúde associados à obesidade.”1
A obesidade é um dos problemas que as sociedades ocidentais enfrentam. As razões são diversas, mas o facto é verdadeiro e notório.
O que achei interessante na notícia que destaco foi a reacção das empresas “face à ameaça das autoridades de saúde norte-americanas de criar um novo imposto”. É positivo fazer-se alguma coisa que tenha em vista uma melhoria na saúde da população. Estou de acordo. No entanto, o motivo das medidas, que se subentende pelo contexto capitalista em que vivemos, é que me preocupa.
Isto faz-me reflectir num aspecto menos “comercial” e mais “espiritual”. Será que eu me preocupo realmente com a “saúde” dos meus irmãos? Ou a minha motivação é simplesmente porque “tem que ser” ou “fica bem”, como cristã?
Pior: será que eles são o alvo da minha preocupação genuína e desinteressada ou são o meio pelo qual eu desejo atingir algo, fazer alguma coisa, por isso é melhor que estejam bem e “tenho” que me interessar?
Há algum tempo, num momento de conversa com um amigo que regressou ao caminho com Deus, ele na sua simplicidade, perguntou porque é que eu estava a partilhar aquelas palavras com ele. Parei um momento para avaliar as minhas motivações. De facto, qual a minha intenção?
“Não façam nada que seja motivado por despique, nem que seja provocado por interesses pessoais. Mas sejam humildes: que cada um considere os outros superiores a si mesmo.” (Filipenses 2:3, versão “O Livro”)
A falta de autenticidade e a manipulação que satura a nossa sociedade torna difícil distinguir intenções e atitudes. Por um lado, precisamos que Deus nos dê um coração puro, uma compaixão desinteressada e uma abordagem de igual para igual quando lidamos uns com os outros. O tempo e o relacionamento permitem o processo de confiança mútua e abrem espaços para o crescimento, enquanto nos motivamos uns aos outros.
É necessário, para todos os “veteranos” na família de Deus, humildade na forma como lidam com os “recrutas”. É preciso, de facto, um interesse genuíno pelo nosso irmão, mais do que um interesse corrompido pelo benefício ou projecção que ele, implicitamente, nos vai dar.
E tenho uma notícia: só conseguimos ir contra a maré de egoísmo e manipulação que nos rodeia se nos ligarmos constantemente à fonte do verdadeiro altruísmo e amor. Nisto, não há formulas mágicas. O relacionamento com Deus ajuda-nos no relacionamento com os outros.
Gosto das palavras de Jesus “Tenham o cuidado de viver em mim, e deixem-me viver em vocês. Porque um ramo não pode dar fruto quando separado da videira. Por isso não poderão dar fruto afastados de mim. Sim, eu sou a videira, e vocês são os ramos. Aquele que viver em mim e eu nele produzirá muito fruto. Pois sem mim nada podem fazer. (...) É pois isto o que vos mando, que se amem uns aos outros.” (João 15: 4, 5, 17, versão “O Livro”)
Ana Ramalho
1 Fonte: Jornal i, 23 Março 2010, https://www.ionline.pt/conteudo/52277-pepsi-cada-vez-mais-light