D'existo

Num devaneio. Num segundo. Entro pela porta principal  e invado o imaginário de quem por um momento ou por um tempo d’existe. Aqui fica o registo.

A d’existência é o meu mundo. A marca do meu sonho é o vácuo contínuo. O sopro que me recolhe a alma é o sabor inóspito do medo de repensar-me. Existo, mas desisto.

Desisto de existir como vida além do respirar, como sorriso espelho do coração, como ser inteiro. Estou-me a desfeito em mil pedaços sem mérito nem consolo, isolado pela segurança da moda rotineira que me corrói a esperança.

Desisto de tentar de novo, experimentar outra perspectiva, respirar outros mundos, cruzar-me com outros caminhos, suprir a minha necessidade de pertença de braços abertos. Fico paralisado no meio dos monumentos degradados que acumulei na minha história, na vida virtual que afago para esquecer-me como sou.

Desisto sem grande esforço. Podia lutar por mim, lutar por me manter de pé, lutar para me resolver e ajudar Deus a arrumar-me. Mas acomodo-me no meu facilitismo. Desleixo-me na minha apatia. Recolho-me à espera que uma utopia nasça como sempre sonhei.

Desisto de brilhar, de fazer o mundo um lugar mais bonito, desvendar tesouros alheios, superar-me em todos os sentidos. Estou amarrado por mim mesmo, por não querer ver-me pela luz que me chega. Ofereço mãos fechadas a mãos abertas. Escondo-me.

Desisto de exprimir o que penso, o que me atormenta, o que me suplanta, o que me mói e destrói por dentro, porque (penso que) sei que não serei aceite nos meus lamentos. E fico como um mendigo sentado à frente do prato que me podia dar um pouco de calor e ânimo interior, sem reacção. Enquanto a vida se esfria e o corpo dse resigna a movimentos limitados, vou-me deixando amargar sem amor próprio.

Desisto de ver o lado bom das coisas, procurar causas válidas para as escolhas dos outros, entrar nos seus sonhos e aprender com as suas histórias. E esmago em poucas palavras na crueldade dos meus medos o dito e feito do outro, sem desculpas pelos meus próprios modos relativos de viver sem vida.

D’existo.

Tópico: D'existo

Data: 27-01-2011

De: SARA

Assunto: d'existir

ESTOU QUASE DESISTINDO DE TUDO MESMO JA NÃO SEI OQUE FAZER...

Data: 03-02-2011

De: Ana Ramalho

Assunto: Re:d'existir

Gostava de conversar contigo, se quiseres: kinder1973@gmail.com

Data: 04-04-2010

De: leonel costa

Assunto: desisto

é intrigante pensar nisso. numa pessoa que transmite por gestos gramaticais limites a que algo consciente quer propor. à ideia de doer até o pensar. quem alimenta essa alma pródiga? de que lado vem esse pensar? imaginei ter a certeza dos meus passos, e que esses me trariam de volta ao concenso,mas! há limites cujo sufoco supéra a sua compreenção,mas tambem digo que a morte é pensar. je me veux voir au mirroir...

Data: 06-04-2010

De: Ana Ramalho

Assunto: Re:desisto

Olá!

Obrigada pelo comentário profundo que fizeste. Esta foi uma divagação que fiz há algum tempo.Já me senti assim, por vezes e em momentos mais difíceis... mas no meio do meu desamparo, apatia ou desilusão, Aquela Pessoa que me dá o devido valor desarrumou as minhas inseguranças, para me voltar a arrumar. Quando a vontade é d'existir ou mesmo desistir, eu olho para Ele... não percebo, mas sei quem eu sou, sei o meu valor, sei que não mereço, mas resolvo devolver-me novamente nas mãos que têm buracos por mim, mas não me deixam cair entre os dedos. C'est ça que me fait vivre!

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