Sucessão de Gerações

16-01-2010 16:24

“E foi também congregada toda aquela geração a seus pais, e outra geração após eles se levantou, que não conhecia o Senhor, nem tampouco a obra que fizera a Israel”.  ARC

“Mas quando toda aquela geração morreu, a geração seguinte esqueceu-se do Senhor e do que Ele fizera por Israel”  TBN

(Juízes 2:10)

 

 

INTRODUÇÃO

Vamos pensar, baseados nesta passagem bíblica, acerca de Sucessão de Gerações.

O vocábulo geração aqui tem origem na expressão hebraica dôr דֹּור e significa um grupo de pessoas que viveram numa mesma época ou seja, contemporâneas.

O conceito Sucessão de Gerações é o facto de um grupo de pessoas de uma determinada época suceder de forma natural a outro anterior.

Este conceito vai além de um factor natural - gerar alguém – implica também acompanhar o crescimento e desenvolvimento da pessoa, proteger, transmitir valores, corrigir, orientar, etc.

 

CONTEXTO

O segundo capítulo de Juízes é um resumo do livro. Regista a forma como se deu a “transição de uma geração santa para uma geração ímpia”.

Estão sintetizados neste capítulo os ciclos de idolatria e desobediência, invasão inimiga, súplica (arrependimento superficial) e livramento de Deus.

Os juízes eram líderes militares e civis que governavam durante algum tempo áreas específicas de Israel. Este período durou cerca de 350 anos, desde a morte de Josué à unção do Rei Saúl.

Havia bênção e prosperidade durante a vida de cada juiz que Deus levantava para liderar determinada zona. Mas, após a sua morte, o povo voltava a entrar em apostasia.

A maneira como foi gerida a sucessão da liderança por Josué determinou, de certa forma, o futuro de Israel. O mesmo sucede com a igreja.

 

1 - “AQUELA GERAÇÃO...”

Esta parte do versículo refere-se aos conquistadores da Terra Prometida. Neste grupo verificamos a influência de Josué para que o povo fosse leal a Deus. O mesmo aconteceu enquanto viveram os anciãos, que trabalharam ao lado dele.

Josué foi um líder de vulto, tal como o seu antecessor. Foi escolhido por Deus para liderar o povo na conquista da Terra que Ele prometera à descendência de Abraão (Génesis 15).

Aprendeu e viveu com um grande mentor. Ele fez, ao lado de Moisés, a travessia do deserto desde o Egipto até a Canaã, tendo presenciado os actos poderosos do Senhor.  Josué seguiu os princípios do seu antecessor e influenciou os seus contemporâneos.

No entanto, houve dois erros na sua liderança.

O primeiro foi que não exterminou todos os povos pagãos de Canaã, antes fez acordos com alguns deles desobedecendo a Deus (Êxodo 23:32, 33; 34:10-16).

O segundo foi não haver cuidado da parte de Josué – um general, um homem de acção, um guerreiro - em investir na preparação de um sucessor, ao contrário de Moisés.

Com que objectivo estamos a servir e a liderar outros?

A nossa energia e vontade de fazer é vital para que a obra de Deus progrida no presente mas precisamos pensar no futuro.

Antes de mais, pensar que se ensinamos e servimos em desacordo com aquilo que Deus quer as consequências serão nossas e também das gerações posteriores.

Depois, há a questão de investir nas pessoas. A nova geração precisa de referências que vivam o Evangelho e o comuniquem de forma relevante. Mas isto tudo será insuficiente se não houver um relacionamento, se não investirmos nas vidas dos mais novos. Não é uma questão de tradição, moda ou ministério mas de continuidade, de sucessão – além disso é claro na Bíblia.

Quer estejamos ou não numa posição de liderança, ser bíblico e investir na nova geração é estratégico para a igreja de hoje e de amanhã.

 

2 – “...A GERAÇÃO SEGUINTE...”

Aqui o texto refere-se à geração posterior aos contemporâneos de Josué e dos anciãos, marcada pela ausência de um líder carismático.

 

Esta não viu a operação de Deus com os seus próprios olhos, apenas escutou dos seus pais os factos históricos. Viveu com os benefícios da estabilidade e fertilidade da terra conquistada pelos seus antecessores.

Qual a situação das pessoas a quem estamos a ministrar ou evangelizar?

Todos somos diferentes, mas existem tendências e realidades sociais que revelam certo tipo de comportamentos padrão.

Esta geração tem uma visão própria do que é a vida, o cristianismo, a igreja. Tem hábitos, estilos de vida e formas de pensar e decidir muito próprias.

Na igreja há, de um modo geral, um adormecimento geral, tanto nos mais  velhos quanto nos mais novos, resultado do conforto da vida moderna e da religiosidade.

Por outro lado há uma invasão subtil do individualismo e egoísmo que governam a sociedade. Há uma busca de benefícios pessoais, de momentos e sensações passageiras que não comprometam nem levem a uma mudança.

Os mais novos ouvem os mais velhos falar acerca do passado mas estes últimos não vivem hoje da mesma forma. Os jovens e crianças sabem, conhecem mas não vêem nem experimentam “esse” Deus no quotidiano da vida da igreja.

O desinteresse que muitas vezes apresentam os mais novos está muito ligado com o nosso viver cristão – especialmente incoerência entre o que falamos e o que vivemos e fazemos.

Precisamos de amá-los e conhecê-los para poder ir de encontro às suas necessidades, compreendendo as causas da sua situação.

 

3 – “...ESQUECEU-SE DO SENHOR E DO QUE ELE FIZERA POR ISRAEL.”

Os sucessores do povo que conquistou Canaã não partilharam da sua fé nem experiência.

Eles sofreram as consequências da desobediência de Josué quanto à exterminação dos povos de Canaã. Apesar do arrependimento do povo, a geração futura iria debater-se com esses inimigos, sendo escrava da sua idolatria (Juízes 2:3).

Eram infrutíferos a nível espiritual, consequência do conforto material, do conhecimento religioso meramente teórico baseado no passado e da ausência de um líder, um continuador preparado e fiel a Deus.

Incredulidade, materialismo e anarquia foram o resultado de uma Sucessão de Gerações deficiente. “A geração antiga estava morta e sepultada; a espiritualidade da nova geração estava morta e sepultada.” 

Como é que queremos que a igreja seja dentro de 10 ou 20 anos?

Jesus ministrou a doze homens de forma paciente e amorosa. Onze destes aceitaram o desafio até ao fim e mudaram a história da sua geração e das gerações futuras.

Paulo foi mestre e amigo do jovem Timóteo. Este aprendeu com a vida e as palavras do Apóstolo dos gentios, foi um dos seus cooperadores chave e incentivou outros  (2 Timóteo 2:2).

As consequências de uma responsabilização por parte de nós, mais velhos, é positiva se for realizada de acordo com os parâmetros equilibrados da Palavra de Deus, em amor.

Se negligenciarmos de alguma forma este aspecto, os resultados são desastrosos, quer como igreja no seu todo, quer como liderança, como tem demonstrado a Bíblia e o nosso passado recente.

Urge uma responsabilização consciente e estratégica no tocante ao futuro – quer como igreja, quer como lideres.

 

CONCLUSÃO

“Uma geração louvará as tuas obras à outra geração e anunciará as tuas proezas” (Salmo 145:4 ARC)

A Sucessão de Gerações é a espinha dorsal da história de Israel e da igreja, pelo que vemos ao longo da Bíblia nas consequências do investimento ou desinteresse de sucessores e/ou antecessores no processo. 

Depois da família, a igreja como corpo de Cristo deve cuidar e trabalhar para a continuidade geracional.

A partir daí, quando falamos e vivemos a verdade em amor e com poder, Deus através do Seu Espírito faz aquilo que nós não temos a capacidade de fazer – transformar vidas.

Simultaneamente a responsabilidade de aceitar e viver esses mesmos princípios fica nas mãos dos mais novos.

Contextualizando as causas de sucesso e prevenindo o insucesso, estaremos no caminho de construir pontes para alcançar a nova geração e ajudá-los no processo de crescimento espiritual.

Deus desafia-nos, como Seus servos e servas, a caminhar lado a lado, novos e velhos. Desafia-nos a amar e ajudar aqueles que são a igreja de manhã, deixando o comodismo.

É um investimento e um risco. Cristo arriscou. Os discípulos também. E nós?

 

Ana Ramalho

Abril 2007 - IBAD

 

  WILKINSON, Bruce e Kenneth Boa. Descobrindo a Bíblia. São Paulo: Candeia, 2000, pág. 62; CHAMPLIN, Russel N. O Antigo testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Candeia, 2000. Volume 2, pág. 1003

 

 

Tópico: Sucessão de Gerações - opinião

Data: 12-01-2017

De: joão maria Nascimento silva

Assunto: a igreja antes e depois de ezequiel 16

quero saber desta criança que se narra em Ezequiel 16 por favor preciso saber

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