Salmo 1973

04-08-2010 09:50

Esta é a minha canção, um salmo rasgado num coração grato

Para não esquecer o tempo perplexo da Tua presença

Lembrar-Te com empenho, gratidão e arte

No último suspiro de mais um ano de vida

 

A Tua graça estende-se desde o meu primeiro dia

E antes disso já era mimada pelo Teu amor

Os dias sem sentido tinham-Te como âncora

As noites de tempestade ofuscante erguiam-Te como farol

No mar encrespado, na bonança singela

No deixar o porto das mágoas, no abraçar o abrigo esperançoso

Na conquista e no terror: Tu estiveste sempre lá

Estiveste, estás e estarás

 

Não tenho dúvidas de que me socorreste quando não tinha forças

Me amparaste no momento mais íngreme da minha escuridão

E foste como o pai do pródigo filho perdido dentro de casa

Quando voltei dos meus temperamentos inóspitos e desenhos tortuosos

E me recebeste de volta.

E me deixaste chamar-Te Pai, outra vez.

 

Das feridas mais profundas e sujas pelo tempo

Fizeste uma marca de amor, perdão e compaixão

Do ombro carregado pelos fardos do passado

Fizeste o ombro amigo com que me ajudas a carregar

O ferido, muribundo, esquecido, desprezado

O outro que antes olhava de lado

Da vista turvada pela falsa ideia de Ti

Abriste a visão para além das núvens da desgraça

Do veredicto dos casos perdidos

E olhos para os gestos que só lemos Contigo no coração

 

Resgatas-me do meu "eu"

E tiras-me do sério vício de comandar o meu rumo

Dás-me uma fobia santa de mim mesma

Ajudas-me a confiar em Ti

A saber apreciar a simplicidade de ter-Te

Chamar-Te, conhecer-Te, elevar-Te

Santo, Indescritível, Único

Um Grande Pai

 

Que não esqueça tudo o que és

E que lembre tudo o que fazes

E tudo o que sou por Tua causa

Porque é por isso que nasci

Porque Tu permitiste

E se o caminho não tem sido sempre um passeio

Continuo a achar que estou na melhor companhia

A Tua

E sei que isso é o suficiente

Desde sempre

Desde 1973.

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