"RETIRO o que disse!"

05-10-2010 00:01

São ansiados durante meses a fio. A adrenalina aumenta, fervilham as memórias dos encontros anteriores ou o nervoso miudinho do primeiro. As nossas expectativas estão naqueles dias e nos momentos em que, por uma espécie de acontecimento fantástico, vamos entrar em órbita e recuperar a coragem perdida desde a última vez. Isso mesmo: são os famosos retiros.

Eu já perdi a conta dos retiros a que fui, como campista e como convidada. Gosto e aprecio aqueles momentos. A Palavra, os tempos de busca por mais de Deus, o convívio, as partidas mais ou menos criativas... e as despedidas cheias de lenços de papel e abraços.

Quando comecei a ir a retiros, vinha cheia de vontade para ajudar na igreja, estar com Deus todos os dias, agradar-Lhe qualquer que fosse o preço... mas quando regressava ao retiro seguinte estava outra vez a precisar de um “abanão”.

A minha frustração era, em especial, pelos compromissos que tinha assumido com Deus e que não tinha conseguido cumprir. Eu pensava que a “vida real” era tão cor de rosa como a vida no retiro... mas não é. Já não podia voltar atrás e dizer a Deus “retiro o que disse”. Vinha o arrependimento e o novo compromisso... era um ciclo vicioso.

Depois, com o tempo, fui entendendo que o retiro era apenas um momento especial para estar com Deus no qual Ele me queria falar ou relembrar algo importante, mas que o meu investimento deveria estar no meu relacionamento diário com Ele, do meu envolvimento a servir no que fosse preciso na minha igreja local.

Sem querer por toda a gente no mesmo “saco”, um pouco pelo que ouço e vejo há aqui e ali, acho que o que acontecia comigo acontece com muita gente: o impacto do retiro dura algum tempo mas vai-se diluindo com a rotina.

O problema não são os retiros, mas a forma como vemos a nossa relação com Deus. Se a vemos como uma espécie de montanha russa, com altos, baixos e uma dose de emoção, sem consequências porque “estamos seguros”, compramos o bilhete para a frustração.

Gosto da ideia do segundo livro ‘TÁS COM DEUS. Compara-se o discurso mais conhecido de Jesus acerca do que é ser Seu seguidor a 100% (Sermão do Monte) com a escalada de uma montanha. Eu gosto de ver os retiros, eventos e conversas marcantes com amigos, como momentos especiais dessa subida em que tomamos tempo para parar, ganhar energias... mas não me posso esquecer NUNCA que o caminho continua.

Antes de ires para o próximo retiro, passa um tempo com Deus e faz uma análise à tua vida, aos teus pensamentos, intenções, acções e decisões. Sê honesto com Ele. Coloca também objectivos para o tempo de retiro e objectivos para depois do retiro. Partilha-os com alguém mais velho que possa orar contigo e por ti regularmente. Pode ser o teu professor de Escola Dominical, o Pastor ou Líder de Jovens, por exemplo. Não procures quem apenas é popular, mas alguém maduro com uma vida equilibrada, quer na sua relação com as pessoas quer na sua relação com Deus.

O Pai deseja, mais do que possas imaginar, que sejas um filho que cresce dia-a-dia com a Sua ajuda. Não há formulas mágicas, unções especiais ou revelações extraordinárias... o sobrenatural de Deus vai ser natural na tua vida se andares com Ele, se deres tempo para conversarem, para conheceres quem Ele é e o que deseja de Ti, através da Sua Palavra.

Estou contigo!

Ana Ramalho 

 

Tópico: "RETIRO o que disse!" - opinião

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