Raptar o próprio filho?

19-01-2011 14:56

"Nos cem apelos recebidos pelo Instituto de Apoio à Criança em 2010, fugas e raptos parentais foram os casos mais comuns. A ausência de fronteiras nos espaço Schengen facilitou os raptos. 

Com apenas dois anos, foi levada para França pela mãe sem o consentimento do pai. A fuga para o país onde ambos haviam sido emigrantes aconteceu em Maio, conforme relatou ao i fonte próxima do processo que preferiu não revelar nomes. A decisão da mãe, de levar a criança sem comunicar ao outro progenitor, é considerada crime pela legislação portuguesa - o rapto (subtracção de menor) é cada vez mais frequente em Portugal."1

O que leva uma mãe ou um pai a raptar um filho? “A procura de melhores condições de vida e novo emprego, a fuga à violência doméstica, a maus-tratos sobre a criança, problemas familiares ou são uma forma de vingança (nos casos em que o ex-marido está com outra mulher).” 1

Seja qual for o motivo, a criança é levada, raptada, com ou contra a sua vontade. Imagine-se o desgaste emocional e psíquico de uma criança, que é atirada para uma situação inesperada, muitas vezes tendo já passado pelo processo de separação dos pais, a luta pela custódia, entre outros factos pouco saudáveis.

Felizmente, Deus não nos rapta... mas dá-nos opção de escolha. Não somos um joguete. Ele respeita-nos. Ele não nos quer tirar à força das mãos do outro pai – o tirano, ladrão, mentiroso, subtilmente destruidor.

A vinda de Deus à terra, tornando-Se em Cristo como um de nós, a Sua vida cheia de desafios, a Sua terrível morte, a Sua improvável ressurreição, não são uma tentativa de nos impressionar ou fazer chantagem emocional.

Jesus simplesmente veio cumprir a Sua missão: demonstrar como o Pai amoroso nos ama e deseja Se relacionar connosco, levando-nos mais além, da nossa natureza egocêntrica, caída, falha.

Essa demonstração singular é o anunciar da intenção de Deus em que O escolhamos como Pai, sem esquemas. Ele é claro e frontal: quem decide já com quem quer viver a vida (agora e depois da morte) somos nós.

É por isso que o mundo continua cheio de injustiças, rupturas, ganância e perversão. Deus deseja que estejamos com Ele por amor, devoção, por opção própria. Não por imposição, obrigação ou rapto. Só vamos ser intimamente transformados quando Ele tiver carta branca. Só quando decidirmos por nos mesmo apostar numa relação na qual somos os mais beneficiados – mesmo que isso nos custe abandonar coisas e gestos impróprios, do coração, da mente, da acção.

Jesus explicou e deixou o convite "O ladrão só quer roubar, matar e destruir. Mas eu vim para dar vida, e com abundância." (João 10:10, versão "O Livro"). Resta-nos a nós decidir. Se decidirmos por Deus, seremos raptados pelo Seu amor, cuidado, disciplina, valores e estilo de vida.

Agora é contigo!

 

 

Ana Ramalho


 

1http://www.ionline.pt/conteudo/99244-raptar-o-proprio-filho-e-um-cenario-cada-vez-mais-comum-em-portugal