Prece - entre a preguiça e a cobardia

07-01-2010 18:28

Pai,

 

Não Te posso garantir nada, embora Tu saibas tudo. Estou ausente. A pensar no medo daquilo que enfrento. Não quero errar. Por isso, não vou tentar. Vou desistir.

 

 

A minha cobardia tem como capa a paciência. Digo que espero em Ti, mas na verdade desespero, entro em pânico por não querer tomar uma decisão.

 

 

Espero pelo milagre de ter alguém que decida por mim. Esse alguém és Tu. Não me apetece revolucionar uma parte, nem o todo da minha vida, sem ter garantias concretas, palpáveis, do sucesso fácil da minha escolha.

 

 

Ando pela minha vista, enquanto falo aos outros da fé... Uma cobardia com rasgos de violenta hipocrisia, quando Te tento levar à certa, fazer uma troca aparentemente santa, que pretende simplesmente que eu vire as costas aos desafios, e que sejas Tu o culpado se o resultado não me agradar.

 

 

Lamento-me das coisas não me virem ter às mãos quando penso nelas, de ser impossível estalar os dedos e aparecerem. Esta preguiça afaga-me a mente mas não me chega ao coração. Apenas embriaga os meus passos. Limita claramente a minha acção.

 

 

Justifico a preguiça facilmente. Digo que estou à espera de um sinal, mas não mexo um dedo para encontrar o meu caminho. Os confrontos com o desconhecido são os episódios mais cruéis que reconheço nos caminhos da vida. Não quero esforçar-me. Não quero mudar. Não quero tentar... mas preciso.

 

 

Sou carente de coragem, dependente de estímulo. Perdoa a minha cobardia. Perdoa a minha preguiça. Ajuda-me a ver a vida pelos Teus olhos.

Pai, preciso de coragem para caminhar, ousadia para mudar, humildade para viver, sabedoria para decidir.

 

 

Assim seja!

 

 

Ana Ramalho

 

 

 

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