Media e Evangelização 1 - Pressupostos

08-06-2010 13:41

 

Capítulo introdutório do Seminário "Estratégias e meios de Evangelização - Media, Marketing e Igreja", realizado no âmbito da 1ª Conferência Nacional de Evangelismo da CADP, MEIBAD, Fanhões, 5 de Junho de 2010.

 

1 - Pressupostos

 

A questão da evangelização através dos meios de comunicação é mais do que um assunto estanque, um compartimento nas várias actividades promovidas pela igreja. Para sermos efectivos nesse aspectos é essencial pensar em alguns pressupostos, algumas bases que suportam a comunicação evangelística, quer seja pela internet, por revistas ou folhetos.

 

 a) “Pré-evangelização”

Conhecer a sociedade em que estamos inseridos Antes de procurar fazer campanhas ou pensar em publicidade, como igreja local, precisamos conhecer a sociedade em que estamos inseridos: modo de ver a vida, hábitos, comportamentos, “tribos”, etc. Precisamos conhecer quem queremos alcançar, primeiro, para depois sabermos quais os meios a utilizar. Ou seja,  é necessário termos resposta para algumas questões básicas. Como é o tecido social do concelho/freguesias que desejamos evangelizar? Quais as lacunas em termos sociais que a igreja pode preencher, sendo sal e luz na comunidade? Quem são os grupos etários ou sociais que nos rodeiam e são o nosso “campo”?

Criar uma cultura de igreja que receba, discipule e integre essas pessoas Depois, há um trabalho interno. É necessário criar uma cultura de igreja que receba, discipule e integre essas pessoas. As melhores campanhas podem encher as Casas de Oração, mas as piores atitudes podem facilmente esvaziá-las.  Assim, antes de “nascerem” os novos filhos de Deus, precisamos orar, ensinar e agir por forma a que seja clara e intencional a criação de uma igreja de bases neo-testamentárias, cujo coração tenha compaixão pelos perdidos e aceitação, tendo em vista o processo de Deus na história de cada “bebé” espiritual. Os “irmãos mais velhos” devem estar prontos para ajudar no discipulado dos “mais novos”. De outra forma, temos apenas um evento e não um processo.

 

b) Comunicação como um todo

Tudo na igreja comunica alguma coisa. As pessoas olham para a igreja como um todo. Ou seja, onde quer que a igreja esteja, ela está a passar uma mensagem para a comunidade, mesmo que não tenha nenhum tipo de estratégia de comunicação intencional. O logótipo, a montra, o slogan, o estilo de música, a decoração, o sorriso das pessoas, a simpatia, a linguagem, etc. – tudo passa algum tipo de mensagem. Quando evangelizamos utilizando os meios de comunicação precisamos ter em conta estes aspectos.

Falar a linguagem das pessoas que queremos atingir. Se formos enviados como missionários para uma comunidade na Índia, teremos que aprender a falar o seu dialecto. O mesmo sucede quando queremos falar em português para os portugueses, mas vai além da língua! O significado de palavras como “salvação”, “redenção”, “pecado” pode ser claro para as nossas comunidades cristãs, porque faz parte da sua cultura. O mesmo se passa com episódios bíblicos e personagens que facilmente identificamos pelo nome... mas as pessoas que queremos alcançar estão cada vez mais longe de ter algum tipo de cultura cristã. Assim, precisamos falar dos conceitos teológicos que se referem à decisão para Cristo, mas explicar o que é que isso significa, em palavras e exemplos que sejam claros para as pessoas que não conhecem a Bíblia como nós.

 

c) Marketing[1]

Incoerência “imagem” VS realidade. Não podemos ser incoerentes, nem criar falsas expectativas. Se temos uma comunidade simples e familiar, a nossa comunicação tem que transparecer isso. Se a cultura da igreja é mais sofisticada e envolve muitos meios multimédia, a mesma coisa. Ao ver um folheto, um site ou ler um artigo quem somos como igreja local deve estar espelhado. É sempre possível fazer uma comunicação eficaz, dando ênfase às qualidades e potencial da comunidade de crentes que representamos.Para tal, é necessário fazermos uma avaliação de quem somos e onde queremos chegar, para definir uma estratégia global de comunicação que, mesmo sendo simples, seja eficaz e um meio de fazer Cristo e a Sua igreja conhecidos.

Marketing sem relação = Frustração. Richard Reising, um perito em marketing religioso disse “Quando a igreja faz marketing sem ter relacionamentos com as pessoas é como preparar-se com todo o cuidado para um encontro romântico, mas não ter par". As nossas comunidades de crentes precisam voltar a ter paixão pelo evangelismo pessoal, pela presença e relacionamento com os outros, com a mesma compaixão e interesse que a igreja nascente tinha. Como líderes, devemos ter o exemplo também nesta área - relacionamento e evangelização pessoal. Jesus é o nosso exemplo!

Antes de qualquer estudo, plano ou programa, precisamos buscar a Deus, estarmos constantemente focados n’Ele. A dependência de Deus e do Seu Espírito é necessária desde a estratégia à concepção. Toda a técnica e conhecimento humano sem a orientação e operação de Deus leva à frustração. Como alguém disse “Nós fazemos o possível, Deus faz o impossível”.

Não há receitas “mágicas”, mas princípios, linhas de orientação que devemos ter inspirados na Palavra de Deus e em pessoas que Ele tem capacitado na área de estratégia, evangelização e liderança. Tendo como base estes princípios iremos agora entrar em áreas mais específicas da estratégia, evangelização e comunicação.

Ana Ramalho

 

 

 


 

[1] Nesta área recomendo os livros Descubra onde você está, de Greg L. Hawkins & Cally Parkinson, Editora Vida e Uma igreja com propósitos, de Rick Warren, Editora Vida.