Igrejas pequenas, grandes famílias

02-06-2010 00:32

 

Muito do que escrevo é reflexo do que vivo, do que experimento. Há um ano e meio despoletou-se um processo quase metamorfósico na minha vida, em termos profissionais, ministeriais e eclesiásticos.

O facto de ter mudado de uma igreja média de província para uma pequena congregação de bairro na Capital teve um impacto em muitas áreas da vida e também no modo como hoje encaro o conceito de “igreja”.

Sem mais demoras, o ambiente familiar de uma congregação pequena (com assistência a rondar as 20 a 35 pessoas), permite mais facilmente a interacção e acompanhamento daqueles a quem, mais do que apenas intitular, devemos tratar por irmãos.

Não defendo tanto o método, pois este pode variar (basta olhar para a igreja do Novo Testamento), mas o princípio bíblico de igreja como família. “Mas vocês são uma família escolhida por Deus...” (1 Pedro 2:9a); “E assim vocês, gentios, já não são mais estranhos perante Deus, mas membros da família de Deus...” (Efésios 2:19a).

Quando falo em congregações pequenas não quero de modo algum dizer que devemos ficar agarrados ao conceito de manutenção. O Reino de Deus precisa e deve crescer, por intermédio da igreja. No entanto, precisamos usar estratégias e métodos que nos permitam não perder o sentido de corpo, de entreajuda, que supostamente teremos como família de Deus.

Numa sociedade solitária e cada vez mais “eu”soldada, este aspecto de cooperação e estímulo mútuo devem brilhar mais do que nunca nas nossas comunidades, como “a cidade edificada sobre o monte”. A sociedade procura, a igreja tem, e como deve ser!

A igreja deve ser uma família que respeita as diferentes características dos vários filhos, usando essa complementaridade para o seu crescimento (Efésios 4:1-16). Uma família que festeja a maternidade dia a dia, cada vez que uma nova pessoa se torna filho de Deus (Lucas 15:22-24). Uma comunidade que recebe e acompanha os bebés no seu desenvolvimento e crescimento. Onde os que caem são ajudados a levantar-se e a regressar ao bom caminho, mesmo quando é necessário nos confrontarmos uns aos outros (Gálatas 6:1-5).

Nesta família somos ensinados a viver de forma a agradar ao nosso Pai amoroso (1 Coríntios 10:31), e a ter um coração agradecido pela graça que o nosso irmão mais velho, Jesus, demonstrou ao tomar o nosso lugar na cruz “Nós que fomos purificados por Jesus temos agora o mesmo Pai que ele. E é por isso que ele não se envergonha em nos chamar seus irmãos” (Hebreus 2:11-12a). Uma família que cresce sem perder os laços de amor que formam o seu ADN (João 13:35).

Uma igreja pode ser pequena na dimensão, mas grande na visão. Nada grande começou grande, mas sempre pequeno. A própria humanidade começou com 2 e foi-se multiplicando. Como costumo dizer, “Começar pequeno, sonhar grande”... e trabalhar para isso!

Precisamos de igrejas que se multipliquem em filhos e filhas espirituais, mas que nunca percam o sentido de comunhão e cuidado. Filhos que cuidem uns dos outros, com os ministérios e dons dados pelo Pai.  

Não tenho dúvidas de que Deus deseja que o Seu reino se expanda, que pessoas de todas as origens se cheguem a Ele e sejam transformadas em filhos que O ama... mas tenho dúvidas se eu estou disposta a pagar o preço de sair da mesmice, do “sempre se fez assim”, das tradições culturais, do conforto, para fazer a minha parte, agir e ver Deus transformar pessoas radicalmente. Provavelmente não serei a única com falta de coragem!

Pai, perdoa a minha falta de coragem, o meu conformismo e apatia perante uma geração que vai ficando cada vez mais prisioneira do sistema do mundo, do seu próprio querer deturpado pelo pecado, das artimanhas do inimigo astuto e disfarçado. Eu preciso de uma renovação diária do Teu Espírito para poder ter a Tua visão. Preciso relembrar como amas a Tua igreja – ao ponto de teres morrido por ela. Preciso continuar a amar os meus irmãos, a fazê-los crescer, a fazer a família de Deus crescer, enquanto me orientas e ajudas a fazê-los ser e andar como família.

Assim seja!

Ana Ramalho

 

 

Tópico: Igrejas pequenas, grandes famílias - opinião

Data: 03-06-2010

De: Paulo Pedro

Assunto: Concordo

Boa Reflexão! Um abraço Ana!

Data: 13-08-2010

De: Ana Ramalho

Assunto: Re:Concordo

Obrigada!

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