GAME OVER - Oração em banca rôta

07-06-2011 16:40

 

Acabou. Desisto. Não quero continuar este jogo. Estou cansado de dizer que estou completamente e totalmente dedicado a Ti mas, na realidade, guardar partes da minha dedicação para viver de acordo com a minha vontade. Tenho um doutoramento em “Desculpabilidade crónica” para justificar as minhas acções de cabeça quente, da minha cabeça, em vez de me submeter inteiramente à Tua liderança. A minha tem-me trazido até a este destino: a insaciabilidade do saco rôto, da barriga vazia, e do apontar do dedo aos erros alheios para me esquecer da minha irrevogável incompetência.

Eu conheço as regras do jogo mas tento contorná-las para viver à minha maneira... A gravidade vem da atitude desconcertante que semeei ao longo dos anos. Joguei à minha maneira. Apostei forte e feio em mim. Não cometi nenhum pecado que rotulamos de “grave”: não houve assassinato de ninguém, não houve adultério, não assaltei um banco... Não houve escândalo nem notícias desconcertantes acerca da minha pessoa nos corredores do público nem na cave da intimidade.

Mas eu matei o Teu senhorio com os meus esquemas pessoais de sobrevivência. Li o Teu discurso sobre o Teu cuidado por mim, como pelas plantas e os animais, mas achei que os meios de sustento que criaste não eram suficientes – o trabalho, a generosidade, a Tua provisão. Preferi apostar noutras coisas e esperar a Tua bênção, como se Tu precisasses de uma ajuda, um atalho... Com as minhas acções chamei-Te ignorante, descuidado e mentiroso... mas Tu és santo, perfeito, verdadeiro, justo.

Perdoa a minha falta de confiança na Tua provisão. Perdoa a minha ingratidão. Tu és fiel permanentemente, mas a minha falta de fé abriu uma cova que desejo fechar depois de colocar no caixão a minha auto-piedade e auto-confiança. Ajuda-me a continuar a confiar em Ti não apenas na letra de uma canção mas a cada segundo do meu respirar.

Eu traí a Tua confiança. Criei uma cultura de adultério chamada “aqui e agora”. Não me importei Contigo. Preocupei-me mais com os meus apetites, à minha maneira, no meu tempo. Alinhavei os meus anseios com o chavão “segue os desejos do teu coração” (e arranjei desculpas em textos delicadamente descontextualizados do panorama geral da Tua Palavra) em vez de dedicar a minha vida à felicidade que criaste para mim. Pensei apenas na oportunidade e não na eternidade.

Fiz as coisas à minha maneira, e adulterei com todos meus desejos, para deixá-los governar-me. Deixei que a tentação engravidasse o meu coração e dei à luz o fruto da gestação do pecado. Quis 2 minutos, 2 dias, 2 semanas, 2 meses, 2 anos ou 2 décadas de prazer sem Te consultar, sem esperar pela Tua vontade para mim. Tu provaste o Teu amor por mim com sangue. Eu provei que sem a Tua direcção sou apenas um fantoche da minha vontade insaciável. Perdoa a minha traição. Preciso manter os meus olhos em Ti e na Tua Palavra diariamente para nunca desviar o meu coração da minha paixão por Ti.

Eu fiz um desfalque. Achei que o dinheiro que tenho é meu e que não tens nada a ver com isso... esqueci-me que és Tu que me dás saúde para poder trabalhar, és Tu que susténs a minha vida em tudo. Esqueci-me que não exiges 1% ou 10% mas pedes-me 100% - afinal eu prometi que era totalmente teu. Esqueci-me... ou melhor, fiz-me esquecido! Entronizei as coisas e esperei que fosses o meio para obtê-las, a todos o custo. Em vez de dar com alegria, negociei com afinco. Em vez de um coração géneroso, compassivo e altruísta dediquei-me a afagar o consumista desgovernado que habita em mim.

Perdoa-me quando faço uma gestão egoísta, desregrada e irrealista do meu dinheiro. Perdoa-me quando olho para Ti como o banqueiro “mãos largas” e não como o meu “controlador de gestão”. Perdoa-me quando sou capaz de gastar em coisas puramente dispensáveis e “esquecer-me” dos meus irmãos que estão a passar necessidades. Perdoa-me quando “exijo” que os outros me ajudem e me esqueço que eu também sou chamado a ofertar com alegria e sacrifício para sustento da Tua obra e do Teu povo.

No Teu testemunho público de amor por mim deste a Tua vida. No meu baptismo prometi que morria para mim e vivia para ti. Foi numa comunhão total de bens que selámos o nosso compromisso... e eu falhei redondamente na minha parte. Ajuda-me a perceber que a Tua vontade engloba todos os aspectos da minha vida. Preciso de Ti para criar em mim um coração segundo o Teu querer. Preciso que Tu cresças e eu diminua. Que a minha dependência esteja em Ti, na Tua vontade que é tão boa para mim quanto perfeita e agradável. Tu não precisas provar nada. Já viveste e morreste por mim. Ajuda-me a confiar a Ti os meus dias, os meus bens, os meus pensamentos, intenção, sentimentos e acções.

Joguei o jogo da independência e perdi. O meu jogo acabou. Quero alinhar a minha economia com a Tua generosidade, a minha gestão com a Tua verdade, o meu querer com o Teu querer, a minha vida com a Tua vontade. Obrigada porque depois de me dar por vencida Tu me fazes vencer – e o Teu conceito de vencedor é tão diferente do meu!

Game over.

 

“Não arrecadem os vossos lucros aqui na Terra, onde podem consumir-se ou ser roubados. Entesourem, sim, no céu, onde nunca perdem o valor e estão a salvo dos ladrões. Se os vossos lucros estiverem no céu, aí também estará o vosso coração. Se o teu olho for puro, a tua vida será limpa. Mas se o teu olhar for mau, viverás em trevas. E como essas trevas podem ser profundas! Não se pode servir dois patrões: Deus e o dinheiro. Porque ao se desprezar um, acaba por se preferir o outro. Portanto, aconselho-vos que não se preocupem com as coisas desta vida, como que hão-de comer e beber, e ter dinheiro e roupa. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário? Olhem os passarinhos, que não se preocupam com o alimento, não precisam de semear, nem de colher, ou de armazenar comida, pois o vosso Pai celestial é quem os sustenta. E para ele vocês têm muito mais valor do que os passarinhos. As vossas preocupações poderão porventura acrescentar um só momento ao tempo da vossa vida? E para quê preocuparem-se com o vestuário? Olhem os lírios do campo que não têm cuidados com isso! E, contudo, nem mesmo o rei Salomão, em todo o seu esplendor, se vestiu tão belamente como eles. E se Deus cuida assim das flores, que hoje nascem e amanhã já não existem, não cuidará porventura de vocês, gente de pouca fé? Portanto, não se preocupem com a comida e a roupa para vestir. Para quê serem como os incrédulos? Mas o vosso Pai celestial sabe perfeitamente que precisam delas. Dêem pois prioridade ao seu reino e à sua justiça e Deus cuidará do vosso futuro. Não se preocupem com o dia de amanhã. O dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta cada dia o seu mal.” (Mateus 6: 19-34, versão “O Livro”)

 

“Procurem viver em paz com toda a gente, cada um ocupando-se do que lhe diz respeito, vivendo cada um do seu próprio trabalho. Também isso já antes vos tinha recomendado. Dessa maneira a vossa vida se desenrolará com honestidade, em relação com os que não são cristãos, e manterão a vossa independência.” (1 Tessalonicenses 4:11 e 12, versão “O Livro”)

 

“Fiquei muito contente e muito grato ao Senhor por constatar que vocês se lembraram de novo de mim. Sei bem que não me tinham esquecido; foi só uma questão de não terem tido oportunidade de me enviar a vossa ajuda. Não digo isto porque tenha receio de me ver na pobreza; já aprendi a contentar-me com o que tenho de momento. Sei o que é passar necessidades e sei também o que é ter em abundância. Aprendi já a viver em todas as circunstâncias: tanto na fartura como na fome; tanto no conforto como nas privações. Posso suportar todas as coisas com a ajuda de Cristo, que é a fonte da minha força. Mas fizeram bem em me terem ajudado nesta difícil situação. E aliás vocês, filipenses, bem sabem que, quando parti da Macedónia e o vosso conhecimento do evangelho estava no princípio, nenhuma outra igreja se associou comigo quanto a dar ou a receber, senão somente a vossa. Mesmo quando estava em Tessalónica vocês me enviaram por mais de uma vez aquilo que me era necessário. Não é que esteja a fazer apelo a donativos; mas procuro antes que vocês produzam frutos que tornem maior a vossa recompensa. De momento tenho o que me é preciso; tenho mesmo mais do que o suficiente, desde que Epafrodito me trouxe o que vocês me enviaram, e que é como que o perfume de um sacrifício que Deus aceita e que o satisfaz. E o mesmo Deus, que cuida de mim, satisfará todas as vossas necessidades, segundo as suas riquezas, através de Cristo Jesus. Que ao nosso Deus e Pai seja dada honra e louvor para todo o sempre. Esse é o nosso desejo!” (Filipenses 4:10-20, versão “O Livro”)