É tempo de celebração

13-12-2010 16:22

Nesta época natalícia, é um desafio pensar, falar ou escrever acerca do evento que dividiu a nossa história (a minha pelo menos) e lhe deu um rumo de esperança.

Seria interessante discutir as origens da celebração natalícia, a congruência da data em que o fazemos, o tipo de acessórios ou símbolos que lhe estão associados por tradição mais do que por devoção... mas não é isso que me proponho fazer.

Gostaria que hoje calçássemos as alparcas dos judeus do ano zero da nossa época e fossemos além da imagem idealista dos presépios que nos pintam desde a infância. Esse quadro-tipo faz-nos esquecer que os seus intervenientes não viviam no Céu, mas na terra. O território da Palestina estava sob domínio Romano. O povo de Deus estava subjugado pelos romanos, pagando impostos pesados.

Apesar do cenário pessoal e social de Maria e José, e de muitos dos envolvidos neste evento único, o nascimento de Jesus foi marcado por celebração, alegria e festa – na terra e no Céu.

 

CELEBRAÇÃO ANTES DO NASCIMENTO

Em Lucas 1:46-56, Maria expressa a sua adoração a Deus, a sua gratidão por vir a dar à luz o Salvador da Humanidade.

Neste cântico, Maria reconhece a sua pequenez para tamanha responsabilidade e privilégio, dando louvores a Deus.

Hoje temos a responsabilidade e o privilégio de conhecer Jesus e de anunciar a Sua mensagem de amor e salvação ao mundo, às pessoas que estão à nossa volta.

Este facto deveria ser mais do que suficiente para adorarmos Jesus e celebrarmos a Sua vinda até nós, como parte do processo que contribuiria para a nossa salvação.

 

CELEBRAÇÃO DURANTE O NASCIMENTO

Lucas conta-nos uma das mais belas cenas relativas ao nascimento de Jesus. Em Lucas 2:8-20 temos os pastores e os anjos juntos no mesmo cenário. A grandeza do Céu e a simplicidade da terra, ambos numa expressão de adoração e celebração pelo que estava a acontecer.

Deus não enviou os anjos aos líderes religiosos, nem às autoridades politicas. Enviou-os a um grupo de pessoas simples, consideradas até impuras aos olhos dos mais religiosos: os pastores.

O anjo anunciou o local do nascimento do Salvador, no meio de um grande esplendor. A tradição oral fazia com que os judeus passassem de geração em geração a Palavra de Deus. Eles certamente sabiam como Belém era o local escolhido para o nascimento do Messias. Os pastores não discutiram, não foram consultar ninguém: obedeceram.

Um exercito de anjos pronunciou um cântico de louvor a Deus: “Glória ao Senhor, no mais alto dos céus, paz na Terra aos homens a quem Deus quer bem” (v.14). Os anjos não eram os beneficiários da maior dádiva de Deus ao mundo, mas eles celebraram com toda a solenidade e grandeza dignas daquele momento.

Que Deus possa achar em nós um coração simples, obediente e grato, como o dos pastores, sendo reconhecidos da nossa condição humana, que nos torna indignos da Sua maravilhosa salvação.

Precisamos despir-nos das nossas lamúrias e descontentamento, das nossas exigências e caprichos, reconhecendo a grandeza da vinda de Cristo para viver e morrer por nós, através da festa interior que nos invade pela certeza de que somos de Deus, e que se expressa em palavras e gestos efectivos de adoração. Temos muito mais razão para celebrar do que os anjos!

 

CELEBRAÇÃO APÓS O NASCIMENTO DE JESUS

Mateus descreve a vinda dos magos do Oriente no capítulo 2, versículos 1 a 12. Aqueles sábios, astrónomos de origem não judaica, foram os adoradores mais improváveis da história natalícia.

É interessante verificarmos que não vieram por curiosidade científica. A intenção deles é clara: “Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Pois vimos a sua estrela lá no Oriente, e viemos para o adorar.” (v.2)

Os magos não se limitaram a conhecer factos, mas agiram de forma concreta perante o que sabiam – fizeram uma longa viagem e trouxeram ofertas a Jesus. Uma pincelada invulgar da universalidade da salvação - para todos, em todos os lugares, em todas as épocas.

Que, como eles, possamos adorar e celebrar o mais importante evento da história da humanidade. Seja qual for a nossa origem, que possamos dar-nos totalmente a Cristo, numa celebração que transponha as palavras mas se traduza em actos – uma oferta de tudo o que somos e temos Àquele que nos dá tudo, incluindo o mais importante, a vida eterna.

Outro caso, descrito em Lucas 2:25-38, conta o encontro de Simeão e Ana com Jesus, no templo, dias após o Seu nascimento. Verificamos ali a gratidão de quem esperava o Salvador.

Embora Jesus tivesse ainda um percurso até concretizar a nossa salvação, o simples facto de verem aquele que seria o Salvador foi motivo de adoração.

Hoje olhamos numa perspectiva diferente. Estamos entre a ascensão e a segunda vinda de Cristo... que isso não apague a nossa gratidão, não dilua a importância do acto de Jesus, mas seja motivo de expectativa, de esperança viva reflectida na adoração como estilo de vida, enquanto este dia não chega:

E ouvi de novo um clamor enorme como o de uma multidão imensa, como o de muitas vagas de um mar agitado ou como o de sucessivos trovões: Louvai o Senhor! Porque o Senhor, nosso Deus, que tem todo o poder, é quem reina. Alegremo-nos, com intenso júbilo, prestemos-lhe a nossa profunda homenagem. Chegou a altura de o Cordeiro receber a sua noiva, a qual já se aprontou. Ela tem o direito de se vestir do linho mais fino e mais branco. (Esse linho representa as obras justas e boas que praticam os filhos de Deus.) E foi-me dito por um anjo que escrevesse o seguinte: Felizes aqueles que são convidados à festa de casamento do Cordeiro. E mais ainda: Foi Deus mesmo quem declarou isto.” (Apocalipse 19:6-9)

 

Ana Ramalho

 

 

Tópico: É tempo de celebração - opinião

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