Devolução de crianças adoptadas?

08-04-2010 11:45

 

Um jornal português acordou-me para um facto que conhecia mas estava adormecido: as crianças adoptadas podem ser devolvidas!

“Em 2009, foram devolvidas às instituições do Estado 16 crianças adoptadas (menos quatro que em 2008). O arrependimento dos casais, que descobrem que afinal não estavam preparados para lidar com um filho, ou a ocorrência de um inesperado divórcio e a falta de entendimento entre as partes quanto à custódia das crianças, são alguns dos motivos alegados para anular a adopção.”1

Tentei colocar-me no lugar desses meninos e meninas vindos de realidades tão diferentes, na sua maioria tão difíceis, marcados pela rejeição, pelos maus tratos, equipados sem se darem conta por instintos de sobrevivência redobrados pelas marcas que tão cedo os atingiram.

Agora, depois de um processo, muitas vezes moroso, enquanto estavam a tentar conhecer e reconhecer uma nova (talvez mesmo a primeira) família, são rejeitados de novo, colocados de lado.

Ninguém gosta de ser excluído, principalmente daquilo que talvez fosse a sua única esperança. Gostamos de nos sentir incluídos, amados, escutados, queridos pelos que nos são queridos.

Todos os seres humanos precisam ser adoptados... Deus não quer apenas ser o nosso criador, quer ser nosso Pai adoptivo. Deus “nos predestinou para sermos filhos de adopção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para o louvor da glória da sua graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado [Jesus].” (Efésios 1:5-6)

Antes de decidirmos entregar-Lhe a nossa vida, temos as consequências da escolha de viver de acordo com padrões que não são saudáveis para nós em vários aspectos desta vida e que comprometem a nossa eternidade. É, de facto, enquanto respiramos que escolhemos que pai eterno queremos (a começar agora): Deus ou Satanás.

Se escolhermos Deus, fiquemos tranquilos. Ele nunca nos irá devolver ao pai tirano, que se disfarça de tudo para nos enganar. Ele nunca nos irá rejeitar porque somos imperfeitos, incompletos. Ele ama-nos e aceita-nos com todas as imperfeições para um caminho de aperfeiçoamento, dia a dia.

Ao nos voltarmos para Deus, sabemos que Ele não nos abandona no meio dos problemas mais atrozes, mesmo que venham e nos deixe crescer ao lidar com eles. Não nos lança em rosto o nosso passado, mas confronta-nos amorosamente no presente para que Lhe dêmos permissão para nos transformar, e cooperemos com Ele no processo de “limpar” das nossas agendas, hábitos, conversas, alimentação física e mental, tudo o que não nos convém.

Jesus, a face visível de Deus, veio-nos mostrar como o Pai nos ama... Ele disse “Mas alguns virão ter comigo, aqueles que o Pai me deu, e a esses jamais mandarei embora.” (João 6:37 – Versão “O Livro)

Quem abandonou Deus fomos nós. E a história da humanidade mostra muito bem o trajecto tão distante que temos feito, como indivíduos, como sociedades. Mesmo assim, Ele fez e faz tudo para atrair de novo o nosso coração, a nossa vida.

Deus ama-nos infinitamente. O amor de Deus é uma acção permanente – desde a nossa criação até ao nosso encontro eterno com Ele no Céu. Tudo o que se passa entre esses dois pontos, é um processo em que sempre Ele nos segura nas Suas mãos – se assim desejarmos, se não decidirmos abandoná-Lo. 

Podemos viver seguros. Estamos em boas mãos! “Mas eu [Deus] respondo: Nunca! Pode uma mulher esquecer-se do seu menino e não ter amor pelo seu próprio filho? Pois mesmo que isso possa acontecer, eu contudo nunca me esquecerei de vocês.” (Isaías 49:15 – Versão “O Livro”)

Ana Ramalho

 

1 http://www.cmjornal.xl.pt/Noticia.aspx?channelid=00000009-0000-0000-0000-000000000009&contentid=7E362806-E3D9-4023-9D93-83B4AEA9D740&h=1#

 

 

 

 

Tópico: Devolução de crianças adoptadas? - opinião

Data: 15-04-2010

De: Marina

Assunto: "Ele ama-nos..."

"Ele ama-nos e aceita-nos com todas as imperfeições para um caminho de aperfeiçoamento, dia a dia."

Foram as palavras de força que precisava neste dia.

Foram uma benção para mim. =)


Data: 19-04-2010

De: Ana Ramalho

Assunto: Re:"Ele ama-nos..."

Olá Marina

Ainda bem que Deus tocou na tua vida através deste texto.

Vai em frente, lado a lado com Deus.

Ana

Data: 08-04-2010

De: Paula

Assunto: No caso de adopção de crianças...

Concordo contigo e dou graças a Deus por existir a Justiça e Amor Divinos que nada têm a ver com a justiça e amor humanos.
No que toca a adopção de crianças e à existência de período probatório em Portugal (há países que não têm: a China, por exemplo, daí ser impossível, enquanto não existir um Acordo Bilateral entre os dois países, adoptar crianças da China por candidatos portugueses - incompatibilidades legislativas), apenas revela que o ser humano tem muitas falhas, que por vezes tem de ser minimizadas. Será muitas vezes um "mal menor" a criança ser novamente "devolvida" do que ficar com uma nova família onde não seria amada nem querida, com todas os riscos envolventes. Obviamente que é muito doloroso para as crianças mas a lei existe essencialmente para as proteger.
No meio de tudo isto sabemos que Deus é bom, mesmo que os homens sejam maus...

Data: 08-04-2010

De: Ana Ramalho

Assunto: Re:No caso de adopção de crianças...

Olá Paula

Agradeço a tua achega.

Continua a ler e comentar.

Ana

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