5 Passos para destruir um projecto – parte 4

05-01-2011 00:41

3 “NÃO SÃO PRECISOS OBJECTIVOS CLAROS E BEM COMUNICADOS PORQUE É DEUS QUE OS REVELA À EQUIPA”

 

Uma das maiores crises que a nossa sociedade enfrenta é de direcção. As pessoas sentem-se perdidas e, por isso, “vivem o momento”. Em vez de vivermos a pensar na maratona da vida, preocupamo-nos com os sprints – o agora. Vemos isso no consumismo e no endividamento dos portugueses, nas relações descartáveis, nas decisões irrefletidas que tomamos em áreas importantes, que comprometem toda a nossa vida. Vivemos sem saber bem porquê nem para quê (ou para quem). Sei que isto não é nada de novo, mas precisamos olhar para nós mesmos e analisar se esta mentalidade não nos tem devastado nas últimas décadas.

Desde a minha adolescência que uma página de publicidade de uma revista de surf me acompanha... não porque eu seja uma sufista nas horas vagas, mas por causa da frase que ele encerra: Quando não sabemos para onde ir todos os caminhos são errados.

Há pouco tempo, enquanto reflectia acerca destas questões – fruto não de análise estatística mas do senso comum – percebi que uma das maiores crises que o mundo, o país e a igreja enfrenta é estratégica. Não que este seja um facto predeterminado, mas como igreja de alguma forma deixamo-nos muitas vezes conformar com a agitação e o consumismo que nos rodeiam. O “fazer”, a espetacularidade, a excessiva ocupação em nome de um profissionalismo dominador, substituíram a simplicidade, compromisso, oração e equilíbrio entre performance, serviço e descanso.

 

JESUS DÁ O EXEMPLO

É interessante que Jesus foi muito claro ao apresentar-nos a salvação. Ele disse “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida, e ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:6). Ou seja, existe um objectivo (levar-nos ao Pai) e existe um meio (Jesus). Tudo o que se passa à volta da vida e ministério de Cristo não estão lá por acaso.

Quase no final do evangelho segundo João, descobrimos isso mesmo, quando ele regista o seu objectivo ao escrever “Os discípulos de Jesus viram-no realizar muitos mais milagres do que os registados neste livro. Mas estes vêm aqui descritos para que creiam que ele é o Messias, o Filho de Deus, e para que, crendo nele, tenham vida em seu nome.” (João 20:30-31, versão “O Livro”)

Jesus não andou numa intensa actividade ministerial apenas para “mostrar trabalho”. Ele fez milagres, pronunciou discursos, conversou em privado com várias pessoas, denunciou a falsa religião e mostrou compaixão, é verdade. Mas tudo o que fez tinha a ver com a Sua tarefa primordial e suprema, o Seu objectivo: levar-nos ao Pai.

Outro facto interessante é o tempo. Jesus não fez tudo de uma assentada. Foi construindo um percurso a par e passo com a reacção das multidões que O ouviam, procuravam e seguiam. E mais uma vez o evangelho segundo João transmite-nos essa verdade. Quantos mais Jesus Se ia revelando, mais se ia completando o cenário da Sua morte.

Jesus tinha a clara noção da Sua missão e não Se desviou dela um segundo. Ao mesmo tempo, Ele comunicou com os Seus discípulos para que compreendessem tudo o que Ele tinha vindo fazer, preparando-os como continuadores da Sua obra.

É certo que Jesus enfrentou os conceitos, preconceitos, mitos, educação, temperamento, vontade e natureza caída de cada discípulo... mas tudo fazia parte do Seu projecto enquanto viveu entre nós, que se encaixa no projecto de Deus para a humanidade.

Então, temos em Jesus o exemplo. Ele sabia qual o Seu objectivo (levar-nos ao Pai), qual o método (a Sua vida, morte e ressurreição) e qual o plano (quando agir e como agir).

 

Às vezes enchemos o calendário de actividades, e repetimos o mesmo ano após ano, sem sabermos o porquê daquilo que fazemos. Fazemos, cansamo-nos, cansamos os outros e inevitavelmente conseguimos chegar a alguns resultados... mas como é que podemos avaliar-nos se não soubermos que metas tínhamos? Talvez a máxima “menos é mais” seja aqui aplicável. Pessoas desiludidas e cansadas facilmente entram na apatia e no descompromisso. E sem pessoas não há equipas e os projectos são inúteis.

Precisamos ter metas claras, a pensar mais nas pessoas e menos nas “coisas”... não porque um guru de gestão o diga, mas porque Jesus nos deu o exemplo.

 

Ana Ramalho

(continua em breve)

 

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