5 Passos para destruir um projecto – parte 2

11-11-2010 19:01

Cá vamos a mais um passo...

 

2 “não importa o que os outros estão a fazer porque nós sabemos tudo”

Uma das autoras evangélicas de mais sucesso, Joyce Meyer, tem um livro com um título muito sugestivo “O Vício de agradar a todos”. Não devemos viver baseados apenas nas opiniões dos outros, de ta modo que sejamos dependentes delas quase para respirar (será que estou a exagerar?!), mas podemos de certeza aprender com eles!

Se o nosso manual de referência é a Bíblia Sagrada, então deveríamos estar atentos aos exemplo que ela dá de líderes que souberam ouvir os outros.

Um desses casos é conhecido e muito estudado, mas talvez um dos menos aplicados. O contexto é este: Moisés, escolhido pelo Senhor para liderar o Seu povo da caminhada do Egipto para a Terra Prometida, é observado pelo sogro que está de visita, Jetro... e  Jetro faz o seu comentário a toda a azáfama do genro. Sem mais comentários, coloco aqui o texto bíblico para que nada nos escape.

No dia seguinte Moisés sentou-se como habitualmente para ouvir as petições e queixas de uns contra os outros, que o povo pretendia apresentar-lhe; e isto de manhã à noite. O sogro, vendo o tempo que aquilo lhe tomava, disse-lhe: Porque é que fazes isso sozinho, deixando o povo assim o dia todo aguardando a vez de obter a tua opinião? É porque o povo é comigo que vem ter para o ajudar a resolver as suas querelas, e saber qual a vontade de Deus, respondeu-lhe Moisés. Eu sou o seu juiz, aquele que decide quem tem ou não razão, e que os instrui no caminho de Deus. Indico-lhes as ordens de Deus que se aplicam aos seus problemas particulares.

Não está certo!, exclamou o sogro. Estás a desgastar-te; e até mesmo o povo não irá aguentar isto sempre. Escuta Moisés: é uma responsabilidade demasiada para que a suportes sozinho. Ouve o que eu te digo; é um conselho que te vou dar e com certeza que Deus te abençoará: Continua a seres tu o advogado deste povo, o seu representante diante de Deus a quem continuarás a apresentar os seus anseios e problemas. A eles apresentarás as decisões de Deus e as suas ordens, indicando-lhes os princípios de uma vida de justiça. Mas por outro lado, procura homens dignos, que respeitem Deus, honestos e competentes, e nomeia-os juízes, um por cada mil pessoas. E estes mesmos terão à sua responsabilidade dez outros juízes, cada um deles ocupando-se de cem pessoas. E, por sua vez, a cada um destes também estarão subordinados dois juízes, um para cinquenta indivíduos. E por fim estes igualmente chefiarão mais cinco que terão a seu cargo as questões de dez pessoas. Que estes indivíduos sejam responsabilizados por servir o povo com justiça a todo o momento. Qualquer assunto de maior importância ou mais complicado podem-nos trazer junto de ti. Mas as pequenas questões devem eles resolvê-las. Assim te será mais fácil o teu cargo se o repartires com eles.

Se seguires este conselho, e se o Senhor o aceitar, serás capaz de resistir, de ir até ao fim da tua missão. E haverá paz e harmonia entre o povo.

Moisés aceitou o conselho do seu sogro e pôs em execução a sugestão. Escolheu, de entre todo o Israel, homens competentes e fê-los juízes do povo, por escalões de mil, cem, cinquenta e dez pessoas, e em toda a ocasião à disposição do povo para aplicar a justiça. Os casos mais delicados traziam-nos diante de Moisés mas todos os outros assuntos julgavam-nos eles próprios.

Depois disto Moisés despediu-se do sogro que regressou à sua terra.

(Êxodo 18: 13 a 27, versão “O Livro”)

 

Em primeiro lugar, Moisés era humilde e não usou o seu “título” ou “cargo” como escudo para afastar as opiniões alheias. Moisés tinha passado pela “escola do Egipto” onde tinha desenvolvido as suas aptidões enquanto jovem, quer em termos de educação hebraica (já que a mãe foi sua ama) quer educação superior egípcia... mas também tinha passado pelo “escola do Deserto”, onde desenvolveu a humildade, a simplicidade e a sensibilidade a escutar a voz de Deus.

Em segundo lugar, Moisés não suspeitou mal de Jetro. Ele poderia ter escutado o sogro com atenção mas suspeitado que quisesse “meter o nariz onde não era chamado” ou tivesse pretensão de obter poder/posição às custas daquele conselho. Ao contrário, escutou, pensou e acabou por aplicar.

Em terceiro lugar, Jetro demonstra ter sabedoria (não apenas conhecimento teórico) e, por isso, tem autoridade para dar o conselho. Moisés já conhecia o sogro há muitos anos pois tinha vivido de perto e trabalhado para ele. Jetro observou, pensou e deixou o seu conselho sábio. Não disse apenas o que estava bem ou mal, mas apresentou soluções práticas para a questão.

Em quarto lugar, Moisés e Jetro sabiam quem governava o povo: Deus. Reforço com o versículo 23 “Se seguires este conselho, e se o Senhor o aceitar, serás capaz de resistir, de ir até ao fim da tua missão. E haverá paz e harmonia entre o povo”. Nenhum dos dois era o Senhor do povo... aquelas ideias, aquela estratégia estaria sempre sujeita àquilo que Deus dissesse.

 

Para não me alongar mais, e numa breve conclusão, deixo os seguintes pontos:

a) Precisamos escutar (MESMO escutar) pessoas idóneas, sábias e mesmo peritas nas suas áreas se queremos que um projecto seja bem sucedido. Ninguém faz tudo bem sozinho... mas fazer tudo mal sozinho é mais provável;

b) Devemos ter um coração ensinável, humilde, simples mas prudente, para outras pessoas (mais novas ou mais velhas, com a mesma visão que nós ou nem por isso) nos possam ajudar a ver as coisas noutra perspectiva e ir mais longe;

c) Quem governa a nossa vida, empresa, igreja ou ministério é Deus. Ele é o Pai que cuida de nós e é Ele que deve ter SEMPRE a última palavra.

 

 

E já agora: o que teria acontecido se Moisés não tivesse experimentado aquela nova estratégia? Pensem nisto...

 

Ana Ramalho

(continua em breve)

Tópico: 5 Passos para destruir um projecto – parte 2 - opinião

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