A campa

22-12-2009 13:46

Frente à campa dos meus avós maternos, despedia-me do cemitério depois de um funeral. Momentos antes, mais uma pessoa que conheci despediu-se de nós num breve até logo. Destino: Céu.

Ao olhar para as fotos dos rostos da minha avó e do meu avô, imaginei como devem estar sorridentes, felizes, ao lado do Pai.

O meu avô esteve quase à morte com tuberculose mas Deus poupo-o, anos antes de eu ainda ser um projecto! A minha avó foi uma lutadora. Eles viviam apaixonados um pelo outro e pela vida. Nós gostávamos de estar ali, na companhia deles.

O meu avô escrevia-me poemas, e eu, com os meus 7 anos, retribuia. Um dia, anos depois dele partir, descobri um desses poemas com as minhas ilustrações coloridas dentro da sua Bíblia. Fiquei preplexa. O poema já tinha mais de 20 anos!

Enquanto abandonava a campa dos meus avós, observei-os uma última vez com os olhos cheios de saudade, enquanto as lágrimas se desfaziam com a chuva miudinha.

As memórias que ficam de quem parte são a maior herança que podemos guardar, cá dentro. As memórias que deixamos quando Deus nos quer na Sua companhia, são o legado que não podemos retrabalhar, reviver, reconstruir.

A morte faz-nos pensar na vida. E eu pensei na minha.

Pai, ajuda-me a viver os meus dias perto do Teu coração e a aproveitar cada segundo com a intensidade de quem vive apaixonado pela vida, com as malas prontas para o Céu.

Assim seja!

Ana Ramalho