“Está na moda ser anti-qualquer-coisa no Facebook”... e não só!

05-03-2010 02:13

“O escárnio e maldizer fazem parte da internet, e a maior rede social do momento não é excepção. Mas para que servem os grupos contra?

(...) A internet promove a liberdade de expressão e a formação de grupos unidos por algo em comum. O problema é que a proliferação de grupos que detestam tudo e mais alguma coisa (...). Alguém notou diferenças nas músicas dos supermercados Pingo Doce depois de o grupo que quer acabar com elas ter juntado quase nove mil membros? Nada. O jogo do Facebook ‘Farmville’ acabou porque se formaram dezenas de grupos a pedir a sua extinção? Não. Embora as marcas e organizações estejam cada vez mais sensibilizadas para o que delas se diz nas redes sociais, a facilidade com que se cria um grupo por tudo e por nada dissolve a sua importância.

Pelo contrário, a lista de grupos a que cada ‘facebooker’ pertence diz muito mais da sua personalidade do que qualquer linha de autodestruição possa escrever. Chegámos à era em que qualquer má experiência com uma empresa é motivo para fundar um grupo ‘anti’ qualquer coisa. Qualquer azia com um objecto dá direito a um grupo do contra. Acima de tudo, o Facebook é usado pelos portugueses anónimos como um espaço onde toda a crítica é permitida. À falta de uma sólida sociedade civil, temos os grupos anti-Sócrates, anti-tabaco e anti-alho francês.”1

Esta notícia que não me espantou mas fez-me reflectir atentamente acerca de ser “anti”, em vários campos da vida – virtual e real. Será que estou a ser apenas "anti" nas minhas avaliações e acções, ou "pró"? Com Deus, nos meus sonhos ou projetos, nos relacionamentos, na igreja...

É tão fácil criticar, seja o que for. É muito simples. Todos erram, por isso, mais cedo ou mais tarde, vou ter alguma coisa que apontar. E depois de detectar (ou inventar) algo negativo, podemos extrapolar e esticar o assunto (ou pseudo-assunto) ao máximo. E ficamos “felizes” porque alguém fez ou disse uma “aberração” – não nós, mas os outros.

Acho importantíssimo sabermos filtrar o que se passa à nossa volta, perceber o que é correcto ou incorrecto... mas qual o espírito, a intenção com que fazemos isso? Qual o objectivo?

Muitas vezes desistimos das pessoas, das causas, e até de nós mesmos, por causa do nosso espírito “anti”... Talvez porque já fomos tão “pró” que nos cansámos, ao sermos desiludidos, magoados, e até usados.

Construir alguma coisa é árduo. Destruir é muito mais fácil. E por vezes, quando falamos, não vemos as coisas na perspectiva da causa, mas apenas da (má) consequência. Ou derrubamos alguém, sem conhecer o outro lado (ou mesmo algum lado) da história. Ou pomos entraves. Ou simplesmente desistimos.

Emitir juízos precipitados, decidir cortes radicais e medidas separatistas é, muitas vezes, o resultado de olharmos (prevermos) as falhas alheias, os erros e atrapalhações dos outros, como ataques pessoais, perseguições camufladas, guerrilhas ocultas.

Por vezes somos “anti” nós mesmos... sem pensarmos, por orgulho ou por medo, não aceitamos que a nossa vida pode ser diferente... ou porque já tentámos e nunca nada aconteceu, ou porque não queremos admitir que precisamos de ajuda.

Ser “anti” é fácil. Ser “pró” tem um preço. Lembro-me quando começámos a revista BSteen, o tempo que levou a construir o projecto, ter uma equipa, fazer a revista conhecida. Foi um investimento, como ainda é hoje, pela “santa teimosia” de um grupo de pessoas com o coração pelos adolescentes. Mas também recordo as alturas em que as fragilidades, as mudanças na equipa e algumas atmosferas inesperadas fizeram “tremer” a casa... e para ela se “aguentar”, alguns fizeram o esforço de levar mais carga, animar, levantar.

Se queremos chegar a algum lado, concretizar um sonho, um projecto, uma chamada, uma ambição avante, precisamos estar cientes que não nos vai cair do céu aos trambolhões. Nem todos nos vão entender (se calhar só mesmo Deus), mas se Ele for connosco, iremos chegar a bom porto. Sem um compromisso firme, consciente, bem avaliado e planeado, o mais provável é nos tornarmos “anti” – mesmo que seja apenas por desistir inesperadamente.

A nossa vida é uma construção interessante, mas delicada, morosa. Isso inclui o que desejamos, o que queremos fazer ou conquistar. Deus abre ou fecha as portas, mas precisamos procurá-las. Isso exige de nós a noção do risco que corremos. 

Nem sempre o que desejamos é-nos benéfico de todo, ou ainda não é o momento certo. O melhor é confiar em Deus e, como uma amiga minha diz, termos uma “espera activa”, aproveitando as oportunidades, sem ficarmos ansiosos ou deprimidos.

“Tudo o que fizeres, fá-lo bem, porque na morte, para onde acabarás por ir, não há realizações, nem planos a fazer, nem coisas a compreender e a analisar.” (Eclesiastes 9:10 – versão “O Livro”)

“Se estiveres à espera das condições ideais para realizar qualquer coisa, nunca farás nada - quem está sempre a observar o vento, de que lado está ou não está, nunca chegará a semear nada; quem anda sempre a olhar para as nuvens, a ver se chove ou não, nunca segará.” (Eclesiastes 11:4 – versão “O Livro”)

 

Pai, ajuda-me a não ser uma filha mimada, mas a apreciar e investir nas oportunidades. Ajuda-me a motivar os outros a crescer, a procurar metas, com os olhos colocados em Ti.

Assim seja!

 

Ana Ramalho

 

1 por Ana Rita Guerra, Publicado em 02 de Março de 2010 em http://www.ionline.pt/conteudo/49120-esta-na-moda-ser-anti-qualquer-coisa-no-facebook

Tópico: “Está na moda ser anti-qualquer-coisa no Facebook”... e não só! - opinião

Data: 13-03-2010

De: Erika

Assunto: Obrigada!

Querida amiga,

É tão bom ler-te! A forma simples mas profunda como escreves e descreves, inspiram e motivam-me! Obrigada, por conseguires marcar a diferença!

Um grande beijinhos, Be blessed ;)
Erika

Data: 13-03-2010

De: Ana Ramalho

Assunto: Re:Obrigada!

Obrigada Erika!

A inspiração vem de Deus, do que leio/vejo, mas também das pessoas que conheço - e tu és uma delas!

DTA

Ana

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